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Um museu de videojogos

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Desde há muitos anos que sonho com a criação de um museu de videojogos em Portugal, que seria o primeiro a nível mundial, e desde o final de 2007 contactei dois municípios sondando  o seu interesse. Como nada aconteceu coloco aqui o desafio. Talvez alguma entidade queira abraçar este projecto.

Quando comecei a traçar a ideia, só existia na Internet um museu virtual de videojogos, criado em 1999, em  www.vgmuseum.com/, mas notícias recentes sugerem que investigadores universitários britânicos se nos adiantaram e estão a materializar o que sonho desde os anos 90.

De facto, o National Videogame Archive nasceu no final de 2008 (ver artigo em http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/7695043.stm) pelo que perdemos a oportunidade de ser o primeiro país a ter algo que os mentores do propjecto inglês consideram de importância extrema para o entendimento e manutenção da história dos videojogos desde que Pong surgiu em 1972.

A minha relação com os videojogos não é tão longa, mas acredito possuir uma colecção única (e a memória para organizar informação) sobre os videojogos desde os anos 80, quando o computador Spectrum foi introduzido em Portugal. Pelas razões que explico abaixo, na transcrição da carta enviada a dois municípios - sem resposta - existe o acervo para fazer um museu único que podia ser, também um pólo cultural e turístico a par com as tendências lúdicas do mercado. O facto de acreditar na ideia mas de não encontrar sensibilidade nos interlocutores até agora escolhidos leva-me a tornar pública este sonho. Que acho perfeitamente materializável. Eis o documento que enviei em 2008 para o segundo município após reuniões com vereadores de turismo e cultura de um primeiro terem resultado em nada. Também este não encontrou eco junto de quem poderia dar-lhe corpo e forma.

 

Exmo. Senhor Vereador da Cultura de ....

Tomo a liberdade de, na sequência de um primeiro contacto telefónico com os vossos serviços, enviar esta nota, mais longa, sobre o projecto de criação de um Museu de Videojogos, espaço que seria o primeiro em termos mundiais com existência física dado só existir um museu virtual dos mesmos, com assento na Internet, desde 1999 (http://www.vgmuseum.com/).

De facto a minha proposta é bem mais palpável, porque detenho a que pode ser considerada a mais completa colecção existente em território nacional de objectos que contam a história dos videojogos. De bolas de futebol que assinalam o lançamento de jogos como FIFA a conjuntos de espião ou soldado que marcam a apresentação de jogos diversos, passando por casinhas dos Sims, algemas, conjuntos completos para cães, bonecos, adereços, a vassoura de Harry Potter, existe de tudo um pouco num acervo que traça o lançamento de jogos de diverso tipo ao longo de duas décadas.

Todo este material corresponde a presskits oferecidos aos jornalistas especializados em videjogos, portanto de edição limitada, que fui recolhendo ao longo de uma carreira profissional escrevendo, entre outras coisas, sobre videojogos, actividade que exerci e exerço ainda. Assinei colunas sobre o tema no Diário de Notícias, Diário Popular, Sete, O Jornal, Blitz e muitas outras publicações diárias, semanais e mensais, além de ter escrito durante anos, na década de 80 início de 90 a secção de videojogos de A Capital, Pokes & Dicas, que formou toda uma geração, seguindo-se nos anos 90 a secção de jogos do Computadores, suplemento do Público e desde há cerca de uma década a área de videojogos do Expresso, para onde transitei por convite do jornal para produzir a secção.

Paralelamente participei na equipa que montou o Cyber 98 – criação na era digital, no CCB, patrocinado pelo Ministério da Cultura e a Portugal Telecom, cabendo-me a responsabilidade da organização da área exposicional de videojogos, a primeira vez que se fez algo do género em Portugal. Participei nas equipas fundadoras de projectos revolucionários na área da informação tecnológica em Portugal, as revistas Exame Informática e Bit, e no primeiro site de produção de conteúdos na área de tecnologia, TekSapo.

Tenho ao longo dos anos escrito sobre informática na óptica do utilizador, desde hardware a software, tendo sido um dos pioneiros na utilização dos sistemas antecessores da Internet e explorado desde o primeiro momento todas as nuances da experiência do Homem com esse meio de comunicação, desde os mundos virtuais aos jogos.

Durante anos visitei as maiores feiras mundiais realizadas nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, deslocando-me também a locais como o Japão, para o lançamento da PlayStation 2 e entrevistas com criadores nipónicos, pelo que o meu conhecimento da indústria nas suas múltiplas vertentes é... enciclopédico.

Fui membro fundador e principal pilar (Mesmo que mantendo um "low profile") da revista de videojogos MegaScore, a primeira publicação do género feita por jornalistas de carreira, e lancei em 2006 a MegaJogos, um projecto de revista para toda a família que surgiu antes do tempo certo... que é hoje. Actualmente desenvolvo um site na Internet que pretende ser um guia para pais e adultos em busca de informação sobre videojogos. Em 2007 foi publicado pela Porto Editora o meu Guia de bolso para os Mundos Virtuais, um manual sobre a experiência daqueles espaços na Internet, o quarto dos meus livros – os restantes sobre técnica fotográfica – editados por aquela editora.

Esta – longa - prosa serve para justificar a minha ligação aos videojogos e explicar de algum modo como acabei por ficar com um acervo de peças que, apesar não terem um valor monetário importante, representam um espólio museológico que permite pensar na criação de um Museu do Brinquedo Digital centrado nos videojogos, que são hoje um dos divertimentos sociais preferidos das crianças. E não só.

Esta colecção não pode simplesmente ser deitada para o lixo, mas torna-se-me impossível manter tudo isto guardado em casa, pelo que estou disposto a doar a colecção a quem de facto a possa usar para fomentar o conhecimento e, quem sabe, conceber um pólo museológico interessante. Acho, de facto, que um espaço como o que sugiro seria um chamariz turístico interessante, até em termos internacionais, permitindo em paralelo pensar na realização de actividades que trouxessem a Portugal criadores do meio, estudiosos, investigadores envolvidos com videojogos, mundos virtuais, a Internet, áreas que acabam por estar relacionadas.

Sonho com a criação de um espaço que pode contar a história dos videojogos desde o Spectrum até hoje e no futuro e que ao mesmo tempo seria um espaço de apresentação de novidades, onde as editoras e fabricantes colocariam os seus equipamentos e novos títulos para os visitantes experimentarem, e onde se podiam organizar conferências, workshops e muito mais coisas... Explorar de forma concreta a ligação entre os aspectos lúdicos e educativos dos videojogos em ligação com o meio escolar, através de workshops com professores, por exemplo, algo que não se tem feito devidamente em Portugal, seria também uma actividade do Museu.

E nem sequer é necessário um espaço gigantesco, algo de raiz. Acredito que em Oeiras existirá um espaço que pode albergar em condições exposicionais esta colecção, composta por velhas máquinas, jogos antigos, documentos, desenhos, esboços, misto de tecnologia, fantasia e sonho, capaz de atrair um público de todas as idades. E que se encontrará junto das editoras (já fiz alguma prospecção) uma forma de participação em tudo isso, que pode ser interessante para todos. Do meu lado estou disponível para participar na montagem e consultoria do quotidiano de um museu assim. Saiba alguém empurrar esta bola de neve...

Acho que me fico por aqui, já defendi q.b. a minha dama. Deixo do vosso lado a decisão sobre se vale a pena, sequer, responder-me. Espero que sim. Acho que este projecto, único no mundo, pode encontrar em ________ o lugar certo para vingar.

Fico à vossa inteira disposição.

José Antunes

 

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NOTA FINAL

Se chegou até aqui e acha que pode contribuir para que o Museu de Videojogos nasça , contacte-me para videojogos(@)videojogos-online.com. Obrigado

 

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