A beta aberta a todos - ou quase - de Aion começou dia 6 de Setembro e pela madrugada do dia seguinte, com algumas paragens do servidor, milhares de jogadores fizeram-se ao caminho para a nova fantasia da NCSoft. Estamos lá.
Desde Guild Wars que não pegava com tanto interesse num produto da NCSoft. Temos tocado algums, pensámos que Tabula Rasa seria um épico - foi um épico desastre - mas nada nos tem impressionado muito. Curiosamente Guild Wars voltou a ser jogado cá por casa nos últimos tempos, sobretudo agora que LOTRO está num compasso de espera, depois da infeliz expansão - grátis, eu sei - lançada para este Verão. Estamos à espera de ver o que sucede por ali - pessoalmente continuo a achar LOTRO uma excelente aposta, mas estou desiludido com esta fase e à espera de um novo mapa.
Entre tanta coisa que temos espreitado - e desistido de usar pouco depois, umas porque são infelizes outras porque não nos enchem as medidas... mesmo se podem encher a outros - Aion tem crescido como uma hipótese interessante. É-o, sem dúvida, confirma-se agora que tenho algumas hroas de beta para trás, e estou prestes a ganhar asas. Sim, asas porque em Aion é possível voar, mesmo se somente por curtos períodos. Mas o que este jogo tem, para além disso, é um universo fantástico graficamente muito bonito - já Guild Wars mostrava do que a NCSoft é capaz em gráficos - e que nos envolve desde o primeiro momento. Sinto, e isto pode ser ainda uma impressão a rever, que os mapas são mais limitados do que os de LOTRO, com percursos mais definidos e zonas barreira mais artificiais - em Lotro é possível fazer diferentes percursos para chegar ao mesmo lugar, aqui isso não parece ser possível - mas isso é um pormenor, porque o que conta é a história, a interface, a acção.
Aion parece ter sabido juntar tudo isso numa proposta agradável, que aprendeu com tudo o que a NCSoft já editou e com os sucessos e eros de todos os outros jogos no mercado. O resultado é um título cheio de detalhes que dão vida ao ambiente, como quando se deixam os heróis controlados à solta por momentos, e eles desatam num leque de animações que contribuem para criar o ambiente mais, até do que as animações de LOTRO. O herói que deixado no meio de um ribeiro acaba por meter as mãos na água e apanhar um peixe, para o olhar e depois soltar, ou que procura forma de proteger-se da chuva quando esta cai são pequenos nadas que fazem do tudo uma maravilha de apreciar. Apetece ficar recostado na cadeira a olahr para o ecrã e tentar antever o que cada boneco vai fazer a seguir.
Dividindo muito sabiamente, no menum as missões entre as da campanha propriamente dita e as que servem para tornar o jogo mais longo e, claro, ganhar pontos necessários para ter as asas e o resto, Aion é uma boa proposta que a manter-se num mercado que começa a ser intensamente concorrido - resta saber se há efectivamente público para tanta coisa - pode divertir quem nele mergulhe por muitos e bons meses, anos até talvez. A aposta da NCSoft é ambiciosa: tocar o pedestal de World of Warcraft. É uma meta que será curioso ver se atingem no futuro. LOTRO não o conseguiu, se bem que seja um jogo olhado com respeito por todo o mercado, por ter aberto a porta deste universo MMORPG a muitos que nunca tinham pensado nisso (a fabulosa história subjacente ajudou a cativar novos jogadores, algo que poucos jogos podem gabar-se de ter) e o primeiro a criar um evidente cenário de Role Playing com servidores próprios para tal.
Curiosamente, Aion tem todas as condições para tornar-se num palco de RPG, com os jogadores a vestirem a preceito os papéis que interpretam. Para isso muito contribuem as animações das figuras no ecrã, que referi acima, e que criam o ambiente de uma forma que nem LOTRO consegue. Se tiver oportunidade experimente-o, por certo a NCSoft criará oportundiades para que mais pessoas façam download do cliente e experimentem este universo de fantasia. Nós estamos por lá nesta fase beta e ainda sem saber se estaremos quando o jogo arrancar na sua versão comercial. Mas para já pensamos nisso.
Como nota final e como isto é um jogo de fantasia, deixo-vos com a identificação da ilustração desta nota. Trata-se de Perceval, recuperação do nome do cavaveiro do Graal dos romances de Chrétien de Troyes, o nome escolhido para a minha personagem em Aion. Ao mesmo tempo que toma o nome de um herói do fantástico medieval, Perceval veste as roupagens de um outro herói, esse popularizado num videojogo. Trata-se de Geralt de Rivia, de The Witcher. Que, de facto, se baseia num livro, ou numa série de livros do escritor Andrzej Sapkowski. De algum modo é uma espécie de "vingança" minha por nunca ter conseguido correr o jogo de forma eficaz no Windows Vista, o que me levou a desistir de levar Geralt a cumprir a sua missão. Na verdade esta minha versão de Perceval/Geralt diverge de ambos os originais, porque o meu herói é um explorador e não um mago ou cavaleiro. Mas algo une este trio, os dois originais e o meu compósito: todos estão associados a histórias fantásticas que nos apelam à imaginação. é isso que os jogos fazem. Sobretudo estes, em que a acção se desenrola em torno de uma história que nos parece querer dar a ideia de que o nosso contributo é importante para o desfecho, feliz espera-se, da trama.


















