Um jogo, um provedor de acesso(?) à Internet e um telefone para cuidar da saúde... Como é que três coisas aparentemente sem ligação surgem num mesmo título? Porque o destino trata de as interligar. Ou desligar, quando se trata de ZON. Mais já de seguida.
Este texto devia ter surgido mais cedo online. Mas quando tentei a ligação, ela não estava lá. A ZON, mais uma vez, a mesma que me vendeu um serviço super-rápido, 50Megas, que certos dias se arrasta como caracol – e um gravador que só grava quando quer e TV HD que não consegue mostrar os canais HD sem que os pixéis se baralhem todos nas imagens... e que me diz que é do software e que está a arranjar tudo... desde Janeiro de 2010 – desligou-me o acesso à Internet.
A sugestão no quadrinho que surge nessas alturas é brilhante. Se não tem ligação, telefone pelo 16990 e diga que foi o erro 1. Pois, mas quem tenha o serviço completo da ZON... está mal servido. Porque com a Internet que se vai, o telefone também. Assim, nunca há reclamações, porque o cliente não pode ligar a queixar-se de que o tal erro 1 o apanhou. É uma brilhante estratégia.
Mas a razão para esta nota é outra. Ainda. O primeiro atraso para a publicação do texto que devia versar somente sobre Mass Effect 2 (o diaporama no topo da página da entrada no mês de Julho explica que escolhemos o jogo como nosso jogo do mês) deveu-se a uma indisposição alimentar que me atirou para um fim-de-semana complicado em termos de saúde. Que me obrigou a deixar de lado algumas horas de viagem pelo mundo de Mass Effect 2 e a procurar o apoio do serviço Saúde 24.
Descobri que ligar para a Saúde 24 é um pouco como ligar para o callcenter de apoio da ZON. Uns dias tem-se sorte noutros apanha-se alguém que tem um formulário para cumprir à risca mas que não entende nada do que se lhe diz. Na ZON já é para mim um hábito. Mas na Saúde 24 não esperava uma coisa assim. Agora sei como é. Com uma situação que afectou a família toda, tentámos saber junto da Saúde 24 o que podia ser feito, até entender se haveria alguma virose – daquelas coisas que ninguém explica e surgem em massa – no ar. Mas quem nos atendeu não quis saber muito disso, nem sequer escutar o quadro clínico geral. Não! Quis analisar um caso só – o meu – e esquecer o resto. E depois despejou-me em cima as perguntas chave do formulário: tomou algum veneno? Tem manchas no corpo? sabe que deve lavar as mãos, blablablablabla...
A partir de determinada altura fui-lhe respondendo ao que ele queria ouvir, só para ver se chegava a uma altura e me deixava dizer o que se passava. Que nada, nunca foi possível, recebi os conselhos todos do “manual” e ainda fui avisado, mais de uma vez, de que a chamada estava a ser gravada por questões de controlo de qualidade e que me poderiam contactar mais tarde para saber se eu estava satisfeito com o atendimento. Bem, se me escutarem nessa chamada como nesta, por certo que as opiniões vão ser todas boas...
O que me espanta é que quem está do lado de lá não tenha um plano B para quando percebe que quem está do lado de cá já tem uma noção mais exacta do que se passa. Eu acredito que muitos dos labregos – lamento mas é o termo que encontro para muitos dos que comigo dividem o país – que ligam precisem de orientação e perguntas do género “tomou algum veneno nas últimas horas?”, mas seria bom que quem está no atendimento da Saúde 24 realmente escutasse quem liga. Sempre. E soubesse responder de acordo.
Já usámos o serviço anteriormente e encontrámos respostas capazes, mas desta feita senti que ligar para a Saúde 24 é como ligar para o callcenter da ZON: uma autêntica roleta russa. O que senti é que me vou retrair de ligar ao Saúde 24 novamente, o que se calhar vai de encontro aos interesses deste (des)governo que temos e de onde já nada há a esperar.
Tudo isto para chegar ao Mass Effect 2, que tem já algum tempo de cartaz mas de que preferi falar agora, após algumas boas horas de viagem. Numa altura em que a saída de APB nos sugere que é mesmo de gritar pela polícia, numa nova prova evidente de que as promessas de bons jogos se vão esboroando – veja-se o caso de The Microsoft Wake, perdão, de Allan Wake – encontrar jogos em que é a história (a história estúpido techboy e não os pixéis) que mais conta é de louvar.
Mass Effect 2 é esse jogo. As secções de tiros podem ser repetitivas mas a narrativa, a construção de todo o fio desta meada é de um livro, que nos promete levar a um novo capítulo em próximo jogo, e onde as acções deste podem ter reflexo. A Bioware, bem ao seu estilo, concebeu um trabalho de topo, para maiores de 18 anos, que não será para todos – exige-se vontade de ler mais do que andar aos tiros ou aos pulos em cima do tapete da sala como agora parecem querer fazer-nos fazer... – mas que é uma sólida viagem pelo que de melhor se faz em jogos e em ficção-científica.
Agora, que chego ao fim desta coluna, só me falta esperar que as intermitências da ZON, cujo HUB se liga e desliga consecutivamente aqui ao meu lado na secretária, me deixem finalmente, hoje, colocar online este texto. Porque se isto continua e de tanta irritação me sentir mal nem ligar para a roleta russa, perdão Saúde 24, posso, porque quando a Internet da ZON se vai, o telefone segue-lhe atrás. Brilhante serviço este que a ex-TVCabo me serviu. Claro que se eu fosse uma figura pública importante teria ZON a 200Megas como nos anúncios, e sempre a acelerar... Mas isso é só nos anúncios...


















