Categoria: Jogos Publicado em sexta, 20 agosto 2010 17:35
Mass Effect 3 só chega em 2012, o que lhe deixa tempo suficiente para jogar de forma aprofundada os dois primeiros episódios. Que merecem ser olhados como peças obrigatórias por um jogador consciencioso. E que goste de ler mais do que dar ao dedo. Os dois Mass Effect são "livros" de muitas páginas.
Entre Julho e Agosto de 2010 o diaporama da página de entrada da Videojogos foi Mass Effect 2. Mas de facto deviam estar ali imagens dos dois jogos da Bioware, porque apesar de se poder jogar um sem o outro, a verdade é que esta parcela da trilogia tem todo o sentido ser lida integralmente, como se faria com O Senhor dos Anéis.
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O vídeo acima documenta a estupidez habitual dos meios generalistas. A Fox pegou nas cenas de sexo no jogo e fez um caso... Um vídeo a ver...
Digo isto porque estou à espera da terceira parte do jogo, ainda em desenvolvimento e sem data marcada, mas com 2012 como altura provável de lançamento. Isto porque Mass Effect 2 foi lançado em Janeiro de 2010, exactamente dois anos e dois meses após o primeiro Mass Effect, o que sugere que a Bioware necessita de um espaço de dois anos para completar cada capítulo.
Porventura uma das melhores edições do catálogo da Electronic Arts, se considerarmos que não é um jogo para todos, Mass Effect 2 tinha mais de dois milhões de cópias vendidas uma semana após o lançamento, o que sugere o potencial de um título que exige do jogador mais que força dos dedos. Com classificações na fasquia próxima dos 100 por cento, o jogo existe para PC e Xbox 360, com uma versão de Mass Effect 2 para a PS3 planeada para Janeiro de 2011. Que vai poder ser jogada mais silenciosamente do que na ventoinha da Microsoft...
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Refiro isto porque Mass Effect 2 é um jogo que vive de silêncio e necessita de ser escutado. Com vocalização total de diálogos, algo que falta em Dragon Age mas a Bioware promete corrigir em Dragon Age 2, Mass Effect 2 é um RPG integral onde o jogador sabe que as suas escolhas/respostas influenciam o desenvolvimento da história. É esse fio condutor, num percurso onde alguns dos personagens morrem e outros ficam vivos, que alimenta a rede de acontecimentos do jogo e o torna em algo tão incontornável no panorama deste tipo de jogos. Ou dos jogos que se tentam aproximar da produção da Bioware, porque sinceramente não conheço nenhum.
De facto, joguei Mass Effect 2 de fio a pavio, preso à história. Envolvi-me emocionalmente com as figuras – e não, não tive nenhuma cena de sexo, embora elas existam, construídas com o jeito de um bom trecho cinemático – e sofri quando as vi morrerem. É como quando se lê um bom livro e se sente angústia ante o destino de uma personagem.
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Afinal, considero, Mass Effect 2 é um livro. Que de repente se torna curto quando o fim chega. De tal forma senti isso que me decidi a jogar por completo o jogo original, que só tinha lambuzado quando nos chegara. É evidente que é algo estrango ler o primeiro livro quando já se leu o segundo, mas em boa verdade não estou arrependido. Pude comparar, de forma inversa, a qualidade gráfica, de interface e narrativa entre o 2 e o 1, e sentir que apesar de existirem diferenças, sobretudo gráficas e de interface, era bem a mesma fasquia de qualidade que me era apresentada. O que quer dizer que o primeiro Mass Effect é excepcional e o segundo não é um “tomem lá mais disto” a aproveitar o sucesso. São obras complementares e que, efectivamente, nos encaminham para o terceiro volume, onde as decisões do jgoador nos dois primeiros volumes terão reflexo no desenvolvimento da acção. De novo.
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Claro que no meu caso baralhei tudo. Tenho dois Sheppard que não são coincidentes, porque o meu do segundo jogo não tem o historial do primeiro. Mas vou manter este 2, para usar no terceiro volume, curioso de ver como as coisas vão correr.
Sempre apreciei boas histórias de ficção-científica – leitor voraz da FC da colecção Argonauta, da Caminho, da Europa-América e de quantas coisas pude ler em francês, inglês e dinamarquês – pelo que Mass Effect 2 faz o meu género. Gostaria de ter mais acção de controlo da nave - tenho-me divertido um pouco em Star Trek Online enquanto aguardo outras propostas – mas o conjunto está tão bem executado que se tornou num imenso prazer jogar os dois volumes da obra da Bioware. A quem agradeço, desde aqui, o carinho com que trata os seus produtos, colocando-os muito acima do patamar onde se amontoam milhares de títulos lançados para o mercado.
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Por isso mesmo sugiro ao leitor que se quer algo para ocupar estes dias de regresso a casa compre os dois Mass Effect e esqueça tudo o resto por algumas semanas. Vai ficar com vontade de jogar o terceiro capítulo. Promete, por todas as mudanças que a Bioware sugeriu já estar a implementar ser uma viagem ainda mais avassaladora do que as já disponíveis. De leitura obrigatória. E quero mesmo dizer leitura, porque só assim se entende a história que a Bioware nos pretende fazer viver. Claro que o combate, com a estratégia que tem envolvida, é também especial, mas este é um jogo em que saber parar para ler e decidir o que fazer a seguir dá mais pontos.