A nova expansão para Lord of the Rings Online, da Turbine, com a Codemasters na distribuição europeia já está disponível, mas não a vai encontrar numa loja perto de si. A distribuição é somente digital. É um sinal do que está para vir.
The Siege of Mirkwood, a expansão de LOTRO, o bem sucedido jogo online em torno da saga O Senhor dos Anéis, do escritor J. R. Tolkien, já está disponível. Estou, enquanto escrevo isto, a fazer download dos "patches" respectivos do servidor, para depois adquirir a versão do jogo para nós e continuar a aventura que encetámos em 2007 no universo de fantasia de Tolkien.
Esperámos até ao último momento e nem sequer escolhemos a pré-encomenda, que nos Estados Unidos oferecia condições vantajosas mas na Europa nem por isso. E de qualquer modo queríamos a caixa do jogo, para juntar às que já temos da pré-encomenda do original, do jogo propriamente dito e da expansão das Minas de Moria (uma para cada um de nós). Gostamos de alinhar as caixas na prateleira e olhar para elas, bem como para os vídeos da colecção de O Senhor dos Anéis. Mas desta vez não teremos al sorte porque The Siege of Mirkwood, apesar de aparecer com uma embalagem típica em toda a publicidade ao jogo, não tem embalagem, sendo somente uma distribuição digital.
Não é nada de absolutamente novo em termos de jogos, sobretudo de jogos online, mas é uma decisão inesperada, que de algum modo desvia da rota habitual um produto que nos habituou a uma embalagem, até mesmo edições de coleccionador. Não sei o que se terá passado, mas é uma viragem importante, que sugere uma de duas coisas: ou a Turbine/Codemasters decidiram apostar nessa forma singular de distribuição ou não conseguiram alianças com editoras/distribuidoras. Recordo aqui que em Portugal, por exemplo, a Atari, que afinal é repescagem de nome antigo pela Infogrames e agora se chama Namco Bandai (acho que é isso) distribuíiu as versões embaladas do jogo anteriormente, mas agora não. Porque ele só existe em versão digital.
Ao optar por esta forma de distribuição - seguindo afinal o que a Valve já faz, com aparente sucesso, há alguns anos -, a dupla Turbine/Codemasters corta o intermediário, que também cobra sempre algo pelos seus serviços, e poupa na embalagem, o que supsotamente permite baixar o preço de venda do jogo, se bem que isos não se note ainda nesta nova expansão, que custa uma vintena de euros. Mas por exemplo nos Estados Unidos é possível comprar o jogo original e todas as expansões por 29 dólares, o que é uma pechincha se considerarmos o número de horas (bem, com pagamento do acesso online, claro, que fica em cerca de 9 euros por mês, ou menos depdendendo dos pacotes...). Na Europa são 39.99 euros pelo conjunto. Digital, sem embalagem, claro.
Se pegar esta forma de distribuição, vamos assistir a algumas mudanças no cenário do mercado. Sobretudo em jogos como LOTRO, que por exigirem uma boa ligação online sugerem que o potencial comprador já está habituado a adquirir, pagar e usar as suas coisas através da Web. Na verdade é para esse caminho que experiências como a da Valve apontam, mesmo se editoras como a Electronic Arts, ainda presas a um modelo clássico de vendas no retalho não conseguiu fazer com que a sua loja online, decalcada da da Valve (no período em que a EA começou a distribuir títulos da Valve ) tivesse a dinâmica daquela.
O que quer que suceda, a nossa biblioteca de LOTRO sofre a sua primeira baixa. No espaço onde deveria estar a embalagem, de The Siege of Mirkwood vai ficar um vazio que dificilmente preencheremos. É de algum modo com uma certa mágoa que perdemos essa ligação material ao papel, ao cheiro da tinta fresca com as imagens recentes do jogo. Alguns, provavelmente, nem pensarão nisso. Mas o sentimento de posse, da colecção de jogos favoritos, dilui-se, esbate-se nesta aquisição virtual que nunca se pode mostrar aos amigos, a não ser ligando o computador. Há coisas que ainda nos deixam pena.

















