A saga de Star Trek tem dado aos videojogos alguns dos mais sólidos jogos ao longo de anos, mas a passagem a um universo online colocava alguns riscos que a Cryptic Studios parece ter sabido contornar. Temos jogo!
A curta carreira da Cryptic Studios parece definitivamente marcada por Star Trek Online, porventura a mais ambiciosa e aparentemente bem sucedida aposta da equipa que se tornou conhecida por City of Heroes. Fundada em 2000, o seu percurso conta com a produção do já citado City, associado ainda a City of Villains, produtos da NCSoft, e a Champions Online, uma espécie de sucedâneo dos super-heróis americanos, que recria todo o imaginário das figuras da Banda Desenhada num universo online onde cada jogador pode ter os super-poderes que deseja.
Champions Online começou como um grande jogo em torno dos bonecos da Marvel, com a Microsoft a apoiar esse ambicioso projecto de jogo on online. Anunciado em Setembro de 2006, Marvel Universe Online ia ser publicado pelo Microsoft Games Studio para Xbox 360 e Windows Vista, mas em Fevereiro de 2008 a Microsoft anunciou o cancelamento do MMO. A Cryptic Studios traçou então um universo alternativo, liberto de licenças mas explorando o mesmo filão dos super-heróis. O jogo continua activo, mas apesar dos super-poderes não deve ser a atracção principal dos jogadores online. É uma curiosidade mas parece-se um pouco com um sucedãneo de chocolate. Não é chocolate.
Star Trek Online é outra coisa. Muita coisa pode correr mal num jogo online, entre todas elas a falta de uma história. Ora Star Trek tem uma história, um passado que é popular e que pode servir de isco para jogadores. É isso mesmo que parece suceder, também por mérito da Cryptic, que soube integrar o passado da série de televisão e filmes neste jogo, que de facto nos deposita dentro do universo de Star Trek. Da selecção de uniformes a todo o ambiente.
Quando se encontra a bordo das naves em parada elementos da tripulação que recordam os seus antepassados que combateram e viajaram ao lado de James T. Kirk, o jogador fica enleado nessa corrente de tempo que se chama memória. E a memória é excelente para criar ambiente, como se sabe. Tal como sucede com Lord of the Rings Online, que nos coloca de facto na Terra Média de Tolkien, Star Trek dá-nos a visão de todo um mundo que começou em 1966 quando Gene Roddenderry escreveu os primeiros episódios da Starship Enterprise. Esse é o grande trunfo do jogo, que a Cryptic soube aproveitar e parece, pelo que foi possível ver até agora, explorar a fundo. O ambiente de todo o jogo devolve-nos o universo de Star Trek em toda a sua extensão, e apesar de muito do que sucede passar por NPC, a verdade é que até a sua actuação - o simples vaguear de gurpos deles pelos corredores de naves e estações, como se efectuando tarefas, é digno de ver - é de acordo com um guião que não nos deixa saltar dos carris da aventura.
Confesso que apesar de ser um apreciador do género de ficção-científica tenho tido alguma dificuldade em lidar com EVE, que considero brilhante mas algo complexo para a generalidade dos utilizadores. Eu próprio confesso que o uso como pastilha para dormir... adormeço aos comandos da minha nave em viagens entre as estrelas. Em Star Trek o problema parece ser outro: desligar para ir dormir. A Cryptic soube concentrar aqui muito do que já foi feita em uma trintena de jogos de Star Trek lançados desde 1971 para computadores - é verdade, temos aqui porventura a mais consistente e bem sucedida exploração de uma ligação a série/filme - e nesta viagem pelas estrelas o jogador tem de tudo um pouco, desde os combates contra Borgs e Klingons até á exploração de planetas desconhecidos e cantos remotos do Universo. Com a possibilidade de saltar da nave para estações especiais mas também de enviar equipas ao solo, numa vertente de jogo que nos leva da estratégia e role playing game à acção com os tiroteios mais intensos. Mas em algumas missões basta somente falar, o que é de facto importante para manter o espírito conciliador da série. Bravo.
Ao longo e todas estas aventuras Star Trek Online consegue acompanhar o jogador, dando-lhe pistas, explicando-lhe o que fazer. É uma ajuda que empurra o jogador para levar por diante a fase talvez mais difícil do jogo: a habituação. O período inicial, apesar do encanto das paisagens, pode parecer monótono e solitário, mas a partir do momento em que se começa a ter uma tripulação a bordo da nossa própria nave, o jogo ganha velocidade e parece uma corrida montanha abaixo. Experimente-o: nós estamos, em diferentes graus, envolvidos com Star Trek Online, pelo que é natural que voltemos a falar dele por aqui, contando algumas das aventuras da nave Enterprise e das que lhe sucederam na saga de Star Trek. Cumprindo, afinal o destino enunciado no arranque de cada episódio:
Space... the Final Frontier. These are the voyages of the starship Enterprise. Its five-year mission: to explore strange new worlds; to seek out new life and new civilizations; to boldly go where no man has gone before.


















