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Farmville pode matar WoW?

Ontem inscrevi-me para beta testing de um novo MMO. Nem sequer vou dizer o nome, provavelmente ninguém o conhece. São tantos por estes dias, e cada vez há mais. Grátis, a pagar, o que se queira.

Aqui na Videojogos temos uma paixão especial por jogos online. Sempre a tivémos e nunca mudou. Desde os primeiros dias da Internet com jogos online que temos tido banca por aqueles lados, experimentando as múltiplas opções do Steam – uma referência nestas coisas – e se para alguns é CS o nome por aqui é mais DoD, que oferece outros horizontes. Mas também demos a volta em CS, em America’s Army (reincidentes...) e instalamos quase tudo o que vai aparecendo e se pode jogar ou achamos que vale a pena experimentar: WarHammer, Age of Conan, etc. etc. etc.

Por vezes uma hora de jogo dá para descobrir que se perdeu tempo, por vezes muito tempo em downloads de GB. Enfim. Em tempos era mais fácil: existiam somente alguns títulos para poucos jogadores. Depois atingimos uma fase em que existiam milhares de jogadores para... alguns títulos. Actualmente, com novos jogos online anunciados todos os dias, e muitos deles grátis (vá lá a gente saber como), torna-se difícil saber o que jogar. O que escolher. Até calcular onde estarão os amigos com que se pretende jogar em determinado momento. Até se estarão no jogo que temos ou noutro que nunca vimos.

Esse é o problema do lado do jogador, que tem ainda outros para resolver: em que jogos apostar?  Por quais pagar? Valerá a pena? A experiência recente diz que muitos dos títulos grátis anunciados como excelentes são uma verdadeira perda de tempo. Claro que continuam a surgir coisas boas, por norma pagas, mas essas têm de ganhar espaço aos que já cá estão e continuam a ser referência: World of Warcraft, o “pai” destas coisas todas continua a atrair a atenção e poucos parecem capazes de o descer do seu pedestal. O que significa que é pouco provável, até com a actual crise instalada, que os jogadores deixem a segurança de WoW. Isso significa que não existe assim tanto mercado, mesmo com o crescimento do número de jogadores, para tantos novos títulos. Porque, convenhamos, da massa crescente de jogadores muitos vão direitinhos para coisas como Farmville e nem querem ouvir falar de coisas como WoW. Até dirão... wow, o que é isso? Só sabem de vacas e rabanetes.

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De facto, com 82 milhões de potenciais jogadores em Farmville/Facebook, até a Activsion se manifesta preocupada com o futuro de WoW. O relatório saído há dias da Activision/Blizzard foi analisado por Robert Purchese na Eurogamer e merece uma leitura atenta. Ali se sugere que WoW pode estar a caminho de ficar obsoleto face aos jogos das redes sociais... por mais estupidificantes que sejam, acrescentamos nós. Verdade, seja dito, a “simplificação” que se está a operar em WoW pode também contribuir para a desertificação do universo do jogo...

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Se isso suceder, contudo, é provável que os orfãos de WoW encontrem “abrigo” noutros MMORPG, provavelmente dos pagos, como Lord of the Rings Online ou qualquer coisa do mesmo tipo. Mas, habituados  a uma assinatura mensal, continuarão a achar perfeitamente natural investir num jogo assim. O que deixa, de novo, os novos MMORPG grátis ou com esquemas paralelos de comercialização (tem de haver um modelo de negócio em todos eles...) sem muito público, porque não podemos esquecer que se WoW juntou 11 milhões de jogadores em uma década... Farmville tem 80 milhões numa fracção desse tempo.

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A verdade é que poucas pessoas parecem ter paciência para ocupar tempo livre num MMORPG, preferindo a rapidez com que podem apreciar a reforma agrária do Facebook. Que está a criar verdadeiros latifundiários virtuais, como parece, com pais que pagam aos filhos para eles manterem a quinta a funcionar enquanto vão trabalhar ou que colocam o despertador para a meio da noite irem tratar de ver se os nabos estão prontos para apanhar... o que pode ser configurado como um vício maior do que passar três horas a liquidar ogres em Lord of the Rings Online.

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A verdade é que apesar do continuado crescimento de MMORPG de todos os tipos e cores – neste momento existem coisas tão distintas como batalhas de blindados online, universos fantásticos para todas as idades, exploração espacial... – não parece existir gente para tantos jogos. Claro que surgirá quem os queira experimentar, mas cedo desaparecerão do mapa de muitos. Sabemos isso porque temos feito o mesmo percurso, experimentando coisas e largando-as depois, aqui com uma boa razão: entender o mercado e para onde vai a indústria. Mas para muitos é somente a curiosidade, que depois de satisfeita não deixa, em muitos casos, muito mais coisas para fazer.

Ora um MMORPG custa milhões a desenvolver. De 5 a 50 milhões de dólares. E demora meses, mesmo anos.  Quem vai pagar isso, sobretudo em MMORPG qie são grátis? Por contraponto, um Farmville faz-se em seis meses, custa meia dúzia de euros e... a malta até paga, em suaves prestações, mas paga -  para calçar uns botins virtuais e ir lavrar. Até porque depois pode sempre vangloriar-se no escritório a dizer... eu sou mais nabo do que tu... perdão, não era bem isto que eu queira dizer. Mas devem ter percebido a ideia. O jogo de Farmville é esse: alguém poder vangloriar-se de ser melhor do que o vizinho de secretária. Essa é a nova forma de ostentação dos dias que correm...

Propositadamente reune-se nesta página vídeos que demonstram um pouco dde diferentes jogos. Sente-se, espreite-os e, se nunca foi além de um jogo em rede social, experimente. Muitos destes títulos permitem que se crie uma conta para 7/14 ou mesmo mais dias grátis. Descubra que existe mais do que Farmvilles...

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