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Social City no Facebook: reinventar a roda

Pode vir a ser o próximo grande jogo do Facebook: Social City, da Playdom. Depois da cultura de nabos eis que chega a oportunidade de ser um pato-bravo da construção. Num jogo que do logótipo à ideia repete um clássico com 21 anos: SimCity.

Social City pode vir a tornar-se no melhor jogo de construção de cidades do Facebook, dizem alguns. Esses mesmos que dizem que não se trata de um acelerado “clicar para colher”, sujeito à mecânica de “ligue-se pelo menos uma vez por dia para vencer” numa referência evidente a Farmville, mas um jogo que desafia o jogador a encontrar um ponto de equilíbrio para desenvolver e manter feliz uma pequena cidade.

Criar a cidade, atrair a população e saber manter toda essa gente sem ideias de ir para outro lado é a meta. Uma absoluta novidade, dirão os menos dados à História. Uma verdadeira reinvenção da roda (ou repetição disso mesmo) dirá quem sabe um pouco de jogos e vê em Social City uma cópia de SimCity, o jogo de construção de cidades lançado em 1989, criado por Will Wright e cujo código fonte, por sinal foi libertado sob licença GPL (software grátis) a 10 de Janeiro de 2008, sob o nome Micropolis.

SimCity da MaxisSimCity foi o jogo com mais sucesso da Maxis (depois adquirida pela Eletronic Arts), a equipa criadora de múltiplos Sims, entre eles os populares Sims e também um SimFarm que nos recorda que Farmville não é único ou original (e nem sequer tão inteligente como o SimFarm original, que data de 1993 (e sim, pode obter o jogo à borla, para testar no seu PC, aqui (http://www.fileradar.net/files/view/Sim-Farm_Sim-Farm---Full-Free-Game/1519).

Se olharmos para o símbolo de SocialCity, ele até tem muitas semelhanças com o de SimCity4 , de 2003 e SimCity Societies, de 2007, numa evidente colagem à ideia. Que se estende até ao jogo, aí diria que logicamente, dado que a forma de representação de uma cidade é ou tem de ser muito semelhante. Mas não podem os autores dizer que não se inspiraram em SimCity para a criação deste jogo para o Facebook. Que, claro, é mais simples do que o SimCity.

Toda a lógica do original está presente: criar a cidade, as casas para os futuros habitantes, as condições para que venham e se fixem. Mas como  se trata de um jogo social, com toda a carga de “coisa leve, levezinha”, SocialCity não tem a dimensão ou complexidade que SimCity podia/pode tomar, apesar de ser um passo adiante, jura quem o jogou, face à proposta do actual “rei”, Farmville.

SocialCity da PlayDomSerá isto um sinal de que os jogadores de jogos sociais estão a crescer e a querer coisas mais complexas? Será que estes jogos servem de pré-primária para coisas realmente inteligentes?

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Enquanto alguns autores julgam que sim, e que este passo acrescentará novas hostes aos utilizadores de mundos virtuais, outros acham que para uma imensa camada de jogadores este será o patamar de destino, e que não vão passar deste ponto. Sobretudo para uma massa designada por “mainstream”, esta experiência é tudo quando desejam, por mais superficial que seja face a jogos de que estes títulos de Facebook derivam. O mais curioso é que, se quisermos, estes novos jogadores regrediram a um estádio dos jogos que remonta a uma década ou mais atrás, e apesar de passarem horas a labutar em quintas virtuais – ou, agora, cidades – continuam a achar que não são jogadores como os entendem de alguém que afirma viver como um hobbit dentro de um jogo como Lord of The Rings Online. Perdeu-se, nesta massificação, a capacidade inovadora dos jogos, algo que foi bastante latente nos anos 80 e 90 e levou mesmo ao aparecimento de mundos virtuais, de que Second Life continua a ser a referência absoluta pelo seu potencial como ferramenta criativa.

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Mas a complexidade de introdução de novos visitantes ao Second Life, a má imagem que a Comunicação Social fez do universo, e o custo de produção de algo assim encaminharam a indústria na direcção dos mundos virtuais e jogos fáceis, que rapidamente satisfazem as reduzidas exigências de uma imensa camada da população. Nos jogos entrámos no que poderia chamar-se, também, a fase das telenovelas. É isso que esta população cansada, sem perspectivas de futuro, quer: imaginar-se rei da horta por um dia. Sem ousar ir mais além, procurando um jogo realmente inventivo, inovador, capaz de abrir a imaginação para horizontes tão vastos como os dos contos de Grimm. Jogos que vão rareando nos dias que correm, porque com toda a gente a investir nos farmvilles não vai sobrar nada para os Dragon Age ou mesmo Alice In Wonderland que ainda vão surgindo por aí.

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