Este mês de Maio chega ao Mercado Red Dead Redemption, o western da Rockstar Games que parte da ideia de Grand theft Auto. Será esta a redenção de um título tão criticado? Uma imensa planície á espera de cowboys estende-se online a partir desta primeira metade do ano.
É curioso que de algo que tem sido alvo de tantas críticas surja um jogo que pode mudar a opinião de muitos. De facto, Red Dead Redemption, que chega ao mercado este mês, parte da ideia original de Grand Theft Auto para abrir o mundo dos westerns a um imenso público que ouse cavalgar as paisagens da Rockstar Games.
Mas Red Dead Redemption é, se quisermos simplificar, Grand Theft Auto “travestido” de cowboy. Oferece ao jogador um imenso mundo aberto que pode percorrer livremente. E é também possível ser “o mau da fita”. Mas as semelhanças parecem terminar aí, numa sugestão evidente de que a Rockstar Games procura novos horizontes e parece ter “crescido” da fase juvenil que GTA de algum modo parecia representar, ao equilibrar-se no limite entre o aceitável/inaceitável socialmente, e explorar temas de sexo, violência gratuita e outros “desvios” sociais.
Será interessante ver o que ficou de tudo isso em Rede Dead Redemption, mas a verdade é que neste jogo o jogador tem um código de conduta ou sistema de moralidade que o determina. Pode decidir se é bom ou mau e isso determinará a sua honra e a forma como é aceite pelos outros – NPC e outros jogadores - no universo do jogo. Também a fama joga um papel capital no desenvolvimento da personalidade do jogador, sugerindo o “realismo” que a equipa pretendeu inscrever na obra.
Sendo um descendente directo da matriz que é GTA, Red Dead Redemption é também a continuação da primeira aposta da Rockstar Games nos westerns, Red Dead Revolver, um género não muito explorado mas que tem dado ao mercado algumas obras interessantes, se bem que não no mesmo patamar de interacção que este “free roaming” universo sugere estar acessível.
Produzido para a Capcom no início de 2000, o jogo entrou em banho-maria quando a editora o deixou cair. Em 2002 a Rockstar decidiu avançar com o projecto e mudou-o de um western americano para o estilo de um spaghetti western, ao jeito de Sergio Leone e a que se associa de imediato o nome de Clint Eastwood, que participou em três dos filmes daquele período dos anos 60. A figura principal do jogo tem, aliás, os tiques de Eastwood, sobretudo do filme A Man With No Name. E a música remete de imediato para os emas de Ennio Morricone, o compositor queridos dos spaghetti westerns.
Lançado em 2004 para Xbox e PlayStation 2, o jogo foi recebido com algum entusiasmo mas também desinteresse. O que não parece ter impedido a Rockstar Games, que deve procurar um substituto para GTA que parece ter atingido o topo de audiências e portanto só pode começar a cair, de voltar ao tema, agora com um jogo mais perto da forma americana de contar westerns, o que nos leva a Silverado, o filme de Lawrence e Marc Kasdan de 1985 que figura ainda hoje no panteão dos grandes filmes do género.
Será Red Dead Redemption o Silverado dos tempos modernos, interactivo, pleno de aventuras? Tudo o parece indicar quando se passam em revista os sucessivos vídeos e documentação que a Rockstar Games tem distribuido para cimentar a sua opção. É impossível não acreditar que algo de muito grandioso está ali, desde a cuidada investigação do tema- que só por si devia levar os media a interessarem-se seriamente por este caso de recuperação moderna dos westerns – até às promessas de criação e manutenção de um universo que se pode percorer livremente e onde a vida pulsa com todas as características de um universo perene, online, onde é possível ter uma existência paralela, mesmo que virtual.
A personagem principal, John Marston, pode envolver-se nas aventuras que vão desfilando diante de si, mas pode também escolher partir como Lucky Luke em direcção ao sol do cair da tarde. Pode dedicar-se à caça para sobreviver ou organizar assaltos a bancos com um grupo de amigos, para viver a vida. Ou ser o defensor da lei e ordem. Actividades paralelas como o jogo nos bares é também uma realidade, sugerindo as múltiplas hipóteses de exploração do jogo por diferentes jogadores.
É uma aposta interessante esta que a Rockstar Games desenvolve. Resta saber se esta “redenção” dos tempos de GTA será realmente entendida pela crítica e pelo público, e se o universo único de um western que Red Dead Redemption sugere vai efectivamente povoar-se com cowboys virtuais. A meados de Maio o jogo chega ao mercado. Até lá espreite os vídeos e aprecia todo o trabalho realizado. É verdadeiramente impressionante.
Descubra o jogo na página oficial.


















