Categoria: Online Publicado em sexta, 30 julho 2010 17:22
Este Outono Lord of The Rings Online vai ser grátis. É uma notícia que sugere uma tendência do mercado. Até o Wall Street Journal a analisa, num artigo intitulado... Primeiro, ofereça o jogo. Mas Everquest II também já tem uma versão grátis.
Confesso que ando há semanas para escrever isto, mas só hoje, depois de passar os olhos pela informação online achei que estava na altura de deixar aos leitores que no final da semana fazem a ronda da Videojogos algo para pensarem.
Lord of the Rings Online grátis é uma excelente notícia que corre há semanas. Há quem tema o que pode suceder com essa massificação, sobretudo nos servidores de RPG (onde os jogadores tendem a representar papéis teatrais, como se vivessem realmente na Terra Média), onde jogadores ocasionais podem lançar o caos ao não cumprirem com as regras da teatralização. Mas há quem ache que esta solução vai (re)povoar áreas do mapa que têm andado vazias, porque os frequentadores habituais de há muito progrediram para os níveis mais elevados e exploram somente nos novos territórios.
Esta gratuitidade de LOTRO significa que muitos mais jogadores entrarão no universo de Tolkien para o explorarem. Isso permite ter grupos constantes de novos utilizadores, espera a Turbine nos Estados Unidos e a Codemasters na Europa (se a sua ligação ao jogo continuar com este modelo de negócio) e, esperam os promotores da ideia, mais gente a comprar produtos do universo virtual, uma outra forma de negócio agora em expansão no Ocidente.
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Efectivamente a ideia de lançar jogos grátis onde existe uma loja que vende acessórios para tornar a experiência de jogo mais rica não é nova, mas nasceu no Oriente, onde os utilizadores parecem mais abertos a essa forma de gastar dinheiro. No Ocidente temos tudo algumas experiências, mas efectivamente o jogo que aprece ter apontado para uma direcção segura nessa área é Dungeons & Dragons Online, também da Turbine, que estava “morto” há meses, sem ninguém que quisesse pagar uma mensalidade de 15 dólares para o explorar, e agora é olhada como um “case study” de uma história de sucesso que levou o Wall Street Journal a interessar-se por dar uma olhada ao tema e ao que se desenha no futuro.
O caminho, efectivamente, parece ser esse. Jogos grátis, com algumas expansões pagas, e infinito número de acessórios que podem tornais mais fácil a progressão dos jogadores dispostos a investir dinheiro real em objectos virtuais. É curiosamente aplicar aqui algo que já se faz no mundo de Second Life há anos... mas que toda a gente associa de imediato a coisas como Farmville, em prova evidente de uma visão algo afunilada... Enfim!
É claro que as editoras tradicionais que vivem da venda no retalho dos seus jogos estão cépticas face a este desenvolvimento, mas com a tendência para que muitos jogos sejam jogados online e a criação de lojas online mesmo para jogos de um só jogador – Mass Effect, por exemplo – mesmo que sem os contornos do verdadeiro “supermercados” que a loja de Dungeons & Dragons Online é, para só referir uma... já que não posso falar de LOTRO, por questões legais, é natural que se sintam forçados a avançar nesse sentido também. Não é algo que vai acontecer imediatamente, mas à medida que a concorrência dos jogos online aperta, torna-se difícil obter lucros excepto com os títulos de classe AAA lançados em formatos físicos. E como todos sabemos, a maior parte dos jogos produzidos e distribuídos no circuito comercial são absoluto lixo que só é mantido porque se criou uma indústria gigantesca que tem de alimentar-se todos os dias. O problema é quando se esgotarem os créditos e se descobrir que as vendas nunca cobriram as despesas...
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Até um clássico online como Everquest II tem já uma versão grátis, Free Adventures, sinal evidente de como a competição de milhentos jogos grátis online – por aqui temos explorado muitos deles, tentando perceber o que vai ser do mercado quando tudo for assim – está a modificar o padrão dos jogos online, mesmo os mais convencionais. Da Electronic Arts à Warner Brothers todos têm um pé no segmento. A Warner Brothers, que adquiriu a Turbine e por isso mesmo D&D e LOTRO, diz que se prepara para tornar mais dos seus títulos em soluções como as agora usadas nestes jogos. Portanto...
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As micro-transações efectuadas nos jogos online não representam grande valor mas parecem ser a forma de sobrevivência para este universo de jogos. Trocar assinaturas de 15 euros mensais por nada pode parecer um mau negócio, mas a verdade é que os números parecem indicar que a massificação verificada no uso do jogo, porque é grátis, acaba por fazer com que muitos jogadores – mais do que seriam os assinantes do serviço – comprem objectos na loja do jogo, aquisições de baixo valor é certo, mas que somadas representam um valor a olhar com atenção. Em declarações ao Wall Street Journal um responsável da Live Gamer afirma que os últimos dados indicam que os utilizadores gastaram cerca de 28 dólares mensais em 145 títulos comercializados pela Live Gamer. Mas do que pagariam por uma assinatura regular de um só jogo.
É ainda cedo para saber como tudo este modelo de negócio se vai desenvolver, mas uma coisa é certa: os jogos vão ser cada vez mais grátis. E com tantos jogos grátis online fica a pergunta: valerá a pena gastar dinheiro em jogos em CD/DVD? Se a questão for somente a procura de entretenimento, existem excelentes destinos online para esse fim.
Tomo como exemplo Lord of the Rings Online, que tem um dos mais envolventes imaginários de todos os jogos online para múltiplos jogadores. É possível passar horas, dias a jogar, sozinho e com amigos, vivendo as aventuras que Tolkien escreveu. Sei-o em absoluto porque jogo desde a fase beta do jogo, em 2007, e continuo a jogar. Efectivamente tenho uma “conta infinita” porque decidi que valia apostar no jogo e adquiri esse direito de acesso a LOTRO enquanto o jogo existir online. No Outono, se nunca experimentou, pode fazer-me uma visita no Shire.