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Assassin's Creed 2

Assassin's Creed 2

Assassin’s Creed 2 está a caminho, com uma nova figura e um salto no tempo da Jerusalém das Cruzadas para a Florença de Leonardo da Vinci. Um convite para voar e sonhar que podia tomar o nome de... os amigos influentes de Ezio. Os Medici, da vinci e Maquiavel estão na lista deste Carnaval da Ubisoft.


Ezio, Auditor de Florença, é o nome da nova estrela de Assassin’s Creed. O jogador abandona, nesta nova viagem, a pele de Altair, o membro da seita religiosa-militar-esotérica do primeiro jogo e parte para um novo ponto do rio do tempo, seguindo afinal o fluxo da história, que o leva em busca dos diferentes “assassinos” em diferentes épocas.

Em 2007, sobre Assassin’s Creed, escrevi para o Expresso que “é uma fábula em torno da seita dos Assassinos, que existiu na realidade no Médio Oriente medieval, e que conviveu com as ordens templárias ali estacionadas pelo tempo das Cruzadas. Misturando elementos da História com a ficção, e ao mesmo tempo dando-nos a oportunidade de uma viagem no tempo, esta edição da Ubisoft não é para toda a gente – maiores de 16 é uma baliza –, mas para quem aprecia um bom jogo de acção com uma história bem construída, Assassin’s Creed é obrigatório. Jogo de plataforma? Não se duvide. Produzido pela mesma equipa de Prince of Persia é uma nítida evolução gráfica daquele jogo, numa exploração adulta de um universo que foi aqui recriado com um detalhe exuberante. Percorrer as ruas de Jerusalém na pele de um membro da seita, Altair, cumprindo as missões ditadas pelo Velho da Montanha, quase nos faz acreditar que as viagens no tempo são possíveis.”

E na segunda nota sobre o jogo disse ainda, em balanço do ano 2007, que “este jogo é a grande surpresa do ano. Trata-se de uma fabulosa viagem por um pedaço da história das cruzadas através da exploração do DNA de um homem dos dias de hoje. Terminando com a promessa de mais dois episódios, é triplamente excelente: jogo, ficção, filme interactivo.”

Eis pois que o segundo episódio se avizinha. Dando-me oportunidade de escrever um pouco mais, não sobre o jogo em si, que aqui por casa reputamos de excelente, mesmo tomando em consideração o que alguns lhe apontaram - da repetição de missões até à reduzida dimensão. Para nós, de facto, tal como já sucedera em Max Payne o que é bom cedo se torna curto. Por um lado porque o é, pró outro porque a excitação nos leva a querer jogar até ao fim. Sucedeu com Max Payne, repetiu-se com Assassin’s Creed. E confesso que não sucede assim tão amiúde, provando que estrelas destas nem sempre o mercado as faz.

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Este novo jogo promete responder às críticas dos que acharam o primeiro repetitivo... mas não sei se será mais longo. Por nós tudo bem, o primeiro foi como ler um bom livro de ficção histórica, que esperamos repetir agora. Pode não ser uma obra de 600 páginas, mas é uma aventura que se devora com prazer.

E para nós – e para mim pessoalmente, que gosto do tema – este AC2 (para encurtar o nome) é uma nova viagem por estórias que entrosam de forma maravilhosa facto e ficção, brincando nos limites do real e do estreito fosso que separa este do esoterismo, da magia, do querer acreditar que a vida é mais do que o que nos dão pela televisão. Que, afinal, está condenada a desaparecer, para dar lugar à Internet. Mas isso é história para outro dia, divago...

Em Assassin’s Creed o primeiro o jogador vivia, na pele de Altair, paredes meias com figuras da História real como Robert de Sable, Grande Mestre dos Templários entre 1191 e 1193 e Senhor de Chipre de 1191 to 1192 (por acaso do destino, mas foi-o). As cenas de ligação do jogo, que alguns condenaram por serem tão longas, são um excelente exercício de romance histórico que nos envolve na trama da acção, no tempo da história, na filosofia vigente, no espírito do lugar, no, se quisermos segredo templário. É disso que tratam aqueles bocados que muitos olharam com um bocejo esperando pelo momento de brandir de novo o punhal nas costas de um adversário.

Para nós foram aqueles momentos de uma teatralidade que suplanta a de alguns filmes e peças de teatro (veja-as de novo, leitor, e concordará) que contribuíram para tornar AC diferente. É no casamento da narrativa cuidada – a provar o empenho, a pesquisa histórica da equipa, tantas vezes esquecida – com a acção de que todos gostam, que AC se eleva acima da mediania. E não, não estou a escrever isto porque me paguem, nós comprámos o jogo, nem sequer recebemos material do distribuidor em Portugal...

O primeiro jogo, num vídeo de promoção

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Altair percorre um espaço físico que foi também reproduzido com o respeito possível pela realidade – Jerusalém, Acre e Damasco – e passa por Masyaf, a cidade síria abrigo da seita dos Assassinos, a que pertence. Al Mualim, o líder da seita – o nome original do líder da seita dos Hashshashin, supostamente origem da palavra assassinos, era Rashid ad-Din Sinan, conhecido por O Velho da Montanha – no jogo interessa-se por Altair, pela sua evolução enquanto Homem e membro da seita. No jogo, ainda, a ficção sobrepõe-se à realidade – supõe-se – e Al Mualim é apontado como um ex-Cavaleiro do Templo por... Robert du Sable. Ficções que aguçam a mente e nos fazem querer saber mais.

Os criadores do jogo salientam que AC não é um jogo de viagem no tempo, mas a verdade é que no primeiro jogo ela existe, mesmo que na forma como o jogador salta do corpo do empregado de mesa Desmond, raptado por uma corporação (versão moderna, industrial, dos Templários) que acredita ser ele um descendente de um Assassino, Altair, o que acaba por provar-se verdadeiro. É através de uma máquina, Animus, que processa dados de memória genética – se quisermos ir por aí – que a viagem se efectua, com alguns sobressaltos até que Desmond começa a perceber como “tocar” Altair e a acção flui. Até à cena final do jogo, que nos deixa com uma figura do século XX diante de um puzzle: imagens que se formam no espaço diante de si, e que mostram, entre outras coisas, um mapa do mundo com diferentes lugares assinalados. Um enigma que deixou toda a gente suspensa e em busca de respostas, procurando associar a imagens já conhecidas os sinais deixados pela equipa criadora de Assassin’s Creed.

O novo passo desta aventura começou agora a ser delineado, e a viagem continua, com um salto até Florença, que parece ser o ponto de passagem de um outro iniciado da seita, figura capaz de levar a corporação moderna a, através do Animus, acrescentar um dado mais à investigação que lhe permitirá controlar o mundo à sua maneira.

De novo facto e ficção dão as mãos, para envolver o jogador. Agora temos um nobre italiano, florentino, Ezio, que parece ter um papel importante na hierarquia governativa, ao ser Auditor de Florença. Isto se o nome sugerido, seguindo a lógica de Altair, for Ezio. O que nos deixa com a indicação de que o herói é Auditor de Florença, um cargo importante, uma figura do elenco governativo que aconselha diferentes responsáveis e serve de elo de ligação entre o cidadão e... o município.

A informação disponível não permite ainda clarificar se o Auditore é nome de família – também plausível, ou se refere o cargo de Ezio. O que faria algum sentido, porque lhe daria a posição para contactar as figuras históricas com que, sabe-se agora, vai roçar ombros. Não é só de Leonardo da Vinci, de quem Ezio é amigo pessoal e cujas máquinas voadoras usa (Ezio vai voar, como o nosso Bartolomeu de Gusmão na Passarola), mas também com personagens como Lorenzo de Medici, Catarina Sforza e Maquiavel, o “pai da política moderna e do termo “maquiavélico” (o leitor fará o favor de fazer as justas associações...).

Com Florença, Veneza e áreas da Toscânia como pano de fundo, o jogo vai levar-nos a ponto-chave da História e mito italianos, da Catedral de São Marcos até à Ponte de Rialto. O Carnaval veneziano parece ser o pano de fundo para a acção, bom momento de máscaras – com toda a alegoria que o Carni Valis oferece – para Ezio se transmutar de um nobre popular numa figura sombria seguindo outros interesses. Uma espécie de Zorro Renascentista, com o devido respeito pela liberdade de pensamento...

De novo é de figuras carismáticas e/ou misteriosas que o jogo vive. Misteriosas na vida real e aqui amplificadas nessa vertente, para dar corpo à história. Da Vinci não necessita de apresentações, a obra diz o que o homem é. Mas Caterina Sforza, descendente de soldados mercenários medievais, é uma impetuosa dama da corte capaz de lutar pelos seus ideais, amante da caça e de alquimia. Lorenzo d’Medici, diplomata, político e patrono das Artes e Maquiavel, músico, filósofo, político... e funcionário público da República Florentina são elementos cruciais de uma trama que a Ubisoft vai deixar entrever a pouco e pouco, preparando o lançamento do jogo, esperado para Março de 2010... mas provavelmente a acontecer antes disso, aproveitando a habitual febre natalícia que sucederá no final de 2009. O tempo dirá...

Se dermos crédito ao fio da História, Ezio será o outro lado de uma figura da actualidade. Portanto, à dupla Desmond /Altair sucederá uma nova dupla, com um descendente de Ezio servindo de elo de ligação entre a máquina Animus e um segredo supostamente templário que continua por descobrir. Um tema que Assassin’s Creed explora de forma absolutamente excelente, mas em que não é único: também a Revolution Software fez um excelente trabalho com a série de aventuras Broken Sword.

De facto, o tema dos Templários dá pano para mangas e merece mesmo ser tratado num artigo em separado. Algo que vou gizar aqui pelas horas livres, e a que voltarei em breve. Se os Pobres Cavaleiros de Cristo me o permitirem. Boas leituras.

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