Categoria: Notícias Publicado em terça, 17 agosto 2010 22:48
A Microsoft acaba de anunciar que vai lançar o seu novo simulador de voo, chamado Flight. Depois de ter fechado o estúdio que fazia o original que durou 28 anos, abre outro mesmo ao lado...
Alguém entende o que a Microsoft anda a fazer por estes dias? Em 2009 fechou o estúdio que fazia Flight Simulator quando a equipa já preparava o FS 11. Agora, um ano depois, anuncia que vai lançar um simulador de voo que se inspira no jogo que matou...
Na abertura do Gamescom 2010, feira alemã que mantém a tradição que outrora foi da britânica ECTS, a Microsoft anunciou que tem em desenvolvimento o seu Microsoft Flight, inspirado no franchise campeão de vendas Microsoft Flight Simulator. Saliento isto a negro porque uma das razões para o encerramento dos estúdios que faziam o FS foi... a falta de rentabilidade do produto. Donde, alguma coisa deve ter-se perdido na tradução para o marketing.
Mas temos, portanto, a Microsoft a lançar um novo Flight Simulator, perdão um simulador de voo chamado Flight. Há meses colocou um anúncio em busca de alguém com gosto pelo ema, e agora começa a mostrar o que tem na manga. Criou-lhe um espaço na web, em http://www.microsoft.com/games/flight, mas a informação é esparsa. Sabe-se, contudo, marketing dixit, que “a Microsoft Game Studios anunciou o desenvolvimento interno de 'Microsoft Flight', um novo título exclusivo para o Windows. “Microsoft Flight” trará uma nova perspectiva a este género de jogos, convidado todos, incluindo os fãs mais saudosistas, a experimentar a magia da simulação de voo”.
A informação no website não diz nada... além de algumas patacoadas habituais. Mas correm rumores de que este Flight vai usar o Live da Microsoft, para juntar os jogadores. Agora se os fãs mais saudosistas vão gostar é que se duvida, pelo menos para já. Os fãs de FS continuam a voar e nem sequer estão muito preocupados com algo que a Microsoft faça na área, efectivamente. Muitos já investiram muitas horas e dinheiro num simulador, o FS original que continua a ser uma referência. E é pouco provável que algo reduzido à expressão de arcada, em que se voa como em Crimson Skies – divertido mas não um simulador – seja o que os fãs de FS queiram. Se essa for a proposta do marketing... podem bem contratar-me para vos fazer o trabalho de casa, porque falharam o alvo por alguns quilómetros. Uma única razão pode justificar este Flight: uma máquina gráfica toda nova, menos pesada do que a do FS. Mas será que é possível ter algo que representa o mundo todo, como o FS faz? E que reproduz a ideia de voo até ao ponto de o simulador ser usado para treino de aspectos específicos da operação de cockpit? É que é isso que a vasta comunidade de utilizadores de FS, e de que muitos voam online regularmente, aspiram ter em qualquer simulador.
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De facto, é estranho que quando se tem uma comunidade de milhões de utilizadores, se deite tudo isso à rua para começar de novo. Só mesmo uma nova geração de cabeças pensantes pode gerir um património como o FS assim. E se vão acenar com o Live às pessoas para poderem voar em rede, então ainda pior. É como se esquecessem que desde há muito que o FS é usado em redes mundiais, com milhares de jogadores voando virtualmente em espaços controlados por controladores aéreos virtuais. Existe, de facto, uma comunidade tremenda em redor do jogo original que a Microsoft esqueceu há um ano atrás. E agora volta com promessas... Promessas de quê?
Na mesma apresentação a Microsoft anunciou que vai lançar o clássico Age of Empires em versão online. A mesma empresa que apesar de tantas promessas há anos atrás nunca conseguiu lançar do chão o conceito de Games for Windows, acabando ela própria pro o trair ao definir que jogos como Alan Wake seria somente para Xbox, quando originalmente era um título de PC, e que não tem lançado nada de especial para PC, vem agora, pela voz de Phil Spencer, Vice-Presidente da Microsoft Game Studios, clamar que “estamos hoje a levar a todos os PCs Windows novas experiências de jogo avançadas e criativas. Ao longo dos anos, a nossa herança de jogos para PC tem cativado o coração e o espírito de milhões de jogadores. A reinvenção destes franchises emblemáticos com a partilha de experiências sociais assinala o nosso regresso aos jogos para PC de uma forma verdadeiramente notável.”
Conhecendo o percurso da Microsoft na área, com a ascensão e queda do hardware SideWinder, dos joysticks ao GameVoice ou Strategic Commander, a anulação de múltiplos títulos para PC e o abandonar de licenças valiosas que na sua mão se perderam, fico com algumas reticências face a este regresso. E francamente... Age of Empires Online? É um pouco como as reedições modernas do Command & Conquer. O seu tempo passou.