
Left4Dead está finalmente disponível, até em formato físico para compra na loja da esquina. Tendo adquirido a versão de download do Steam, temos por aqui alguma antecipação, além de termos começado com a demo acessível por pré-encomenda. E com dois dos trechos do "filme" já passados em revista pode dizer-se que a Valve continua na senda do sucesso.
O lançamento de Left4Dead a 18 de Novembro, online, tem um significado especial. Afinal foi a 18 de Novembro também, mas há dez anos (em 1998) que a Valve lançou Half-Life, o jogo que definiu, doravante, a forma de construir jogos daquele tipo. Querem saber uma coisa? Ainda ninguém lhes chegou aos calcanhares, apesar de todos os Fear e outras coisas que foram lançadas. Half-Life inaugurou a construção narrativa com recurso a um escritor para traçar a história, algo que a equipa tem sabido manter e renova agora, neste Left4Dead feito para jogar em equipa, um quarteto de amigos. Com múltiplas variações de Half-Life feitas - alguns por outros mas sob a sua orientação -, um Half-Life 2, lançado também em Novembro de... 2004, no dia 16, dois episódios mais e um terceiro na forja, e, como cereja no topo do bolo, o pacote Orange Box, que integrou Team Fortress 2 (uma paródia de jogo colectivo) e o experimentalista Portal, que vai reaparecer com novas propostas, a Valve arrisca-se a fazer um jogo de múltiplos jogadores... para jogar sozinho.
De facto, se algo nos deixa espantados neste jogo é a forma como a equipa soube criar um jogo que se pode e deve jogar online, num frenesim de quatro humanos, mas se pode jogar sozinho, com bots que são tão inteligentes quanto é possível esperar de figuras movidas pela IA (Inteligência Artificial) do jogo. De há muito que a Valve explora as possibilidades da IA e a integração na equipa de um elemento "pescado" da Westwood Studios - Michael Booth - onde geriu a IA de jogos como Command & Conquer Generals e Nox em 2003 acelerou o processo que nos trouxe até Left4Dead. O resultado é um título em que o jogador humano pode, a qualquer momento, saltar do jogo, sendo substituido por um bot qe permite manter o quarteto necessário para levar a missão a bom termo.
Left4Dead é um jogo com uma história simples: Num universo ocupado por mortos-vivos (Infected) os sobreviventes (The Survivors) têm de procurar a segurança. Construído como um filme de terror - George Romero gostaria disto - os jogadores são como que estrelas de cinema. O espírito de equipa é o que os mantém vivos e não se consegue progredir de forma solitária. Afinal, o medo obriga-os a manterem-se unidos. Divididos em quatro capítulos com cinco secções cada, o jogo é uma intensa viagem em que nada se repete, porque o sistema de inteligência artificial - AI Director - analisa a todo o momento a reacção dos jogadores aos Infected e determina a intensidade da acção, das multidões em perseguição dos heróis, da violência dos ataques. Não só em função da escolha inicial de nível de dificuldade, mas também da capacidade de cada um dos jogadorese até do poder conjunto da equipa. É algo de absolutamente novo num jogo, provando que a Valve continua a definir novos horizontes para onde os outros depois caminham.
Uma experiência única a que por certo voltaremos nas próximas semanas, Left4Dead espalha-se por cenários variados e mapas surpreendentes, retomando o mesmo discurso de tecnologia escalável da Valve que permite a vários tipos de comptuadores correrem o jogo sem problemas, e que até agora ninguém pareceu capaz de emular.
Violento, capaz de assustar, pode não ser o jogo para os mais impressionáveis, mas é, se o olharmos atentamente, uma paródia aos filmes de zombies, com piadas e situações que nos fazem sorrir. Medo? Um ou outro susto por vezes, mas sobretudo adrenalina a correr nas veias. Um "filme" como se fazem poucos. Disponível para PC e Xbox 360, tem a distribuição comercial a cargo a Electronic Arts. Ou pode ser adquirido na Steam, o melhor sistema de aquisição de jogos/servidor de jogos do mercado. Ponto final.






















