Foi há sensivelmente um ano que a Microsoft encerrou o Aces Studio, equipa responsável pelo Flight Simulator. O espaço continua aberto a novos candidatos, e há manobras no horizonte. Os russos podem entrar no terreno em breve.
Para surpresa de quantos consideravam Flight Simulator como um “emblema” na camisola da Microsoft, em Janeiro de 2009 a empresa fechou os estúdios que estavam já a desenvolver o projecto seguinte, a versão 11, e colocou um ponto final numa viagem encetada, oficialmente, em 1982.
Diversas razões explicam – mas não justificam - que a Microsoft tenha fechado a torneira após ter investido, calcula-se, largas somas na divulgação do programa e dos pacotes de expansão que lançou na esteira da versão X. O Flight Simulator era, por certo, um programa sem grande valor de vendas no momento de lançamento, se bem que fosse sempre vendendo unidades ao longo do tempo, dado que não perde actualidade. De facto, ainda actualmente as pessoas continuam a comprá-lo se pretendem viver a experiência de voo.
A surpresa do encerramento atenua-se se olharmos par ao percurso da Microsoft nos últimos anos. A mesma empresa que inventou a ideia do “Games for “Windows” e prometia dedicar-se à exploração do conceito com todo o empenho parece andar arredada da área. De facto, a última nota desse afastamento é o anúncio de que Alan Wake já não será lançado para PC mas somente para a Xbox 360. É como que um sinal de que a Microsoft está a colocar todos os ovos no mesmo cesto, estranho quando é ela a única que tem um pé no lado das consolas e também dos computadores. Mas se pensarmos que a mesma Microsoft adquiriu para depois encerrar algumas das equipas mais sonantes da produção de jogos para computador - Bungie, Digital Anvil, FASA, Ensemble e Aces Studio - percebe-se que alguma coisa vai mal na materialização do Games for Windows.
Estamos pois neste momento a passar um ano de calendário sobre o fim do Flight Simulator. Ou melhor, de qualquer desenvolvimento da série, porque o programa, com todos os seus defeitos e virtudes continua a ser a eferência do mercado, apesar das tentativas de X-Plane, que não é mais do que uma teimosia do seu autor.
Na esteira do desaparecimento do FS, e sem que se saiba o que pode suceder ao código que o suportava ou que suportaria uma versão FS11 que alguns julgam seria um passo adiante na relação, nunca muito feliz, do programa com placas gráficas (FS exige um processador muito potente e não recorre às capacidades dos actuais GPU...) surgem sinais de potenciais interessados no desenvolvimento de um novo simulador.
A Aerosoft, empresa alemã responsável pela edição de algumas das melhores expansões para FS anunciou pouco depois do encerramento do Aces que estava interessada em produzir algo do mesmo género e que contava com o apoio técnico de programadores russos. Mais recentemente a SimGiants, que assina alguns cenários de FS, anunciou também que no final de 2011 pode surgir, do seu lado, um novo simulador - SimGiants Simulator - pensado para Mac e Windows e até Iphone... o que só mesmo vendo se pode acreditar.
Esta nova proposta parece algo... aérea, mas a sugestão da Aerosoft - Aerosoft Flight Simulator 2012 - pode bem ter pernas para andar ou asas para voar, se quisermos manter o ambiente. A confirmar-se a presença russa não é difícil pensar que uma equipa como a responsável pelo recente Wings of Prey podia dar vida a uma simulação no PC que transportaria o universo de FS para um novo patamar de qualidade. Se é que é possível ter um mundo da dimensão do de FS num programa com o grafismo de Wingos of Prey...
A suceder teremos pela frente um novo período de simulação de voo que levará por diante aquilo que a Microsoft começou e infelizmente “matou”. Sózinha, porque os que tentaram concorrer com ela, como o desastroso Flight da Sierra, de 1996 e as duas edições de Fly!, o prometedor mas incipiente simulador da Terminal Reality lançado entre 1999 e 2001, nunca saíram dos circuitos de pista.
O que quer que suceda, Flight Simulator continua a ser a plataforma viável. Como prova esta imagem de um voo realizado este Carnaval, algures no Mundo, aos comandos de uma “velha máquina”.






















