A produção de jogos para as plataformas tradicionais está cada vez mais cara. God of War III, revelou a Sony agora, custou 44 milhões de dólares. Um jogo de rede social pode custar no máximo 300 mil dólares. Terrível concorrência.
Num mercado onde a qualidade do produto é menos importante do que o – aparente - prazer imediato que se tira dele, o confronto entre Kratos, o herói mitológico de God of War e o desconhecido agricultor de Farmville deixa Kratos em pior estado do que na luta contra Poseidon. De facto, a Sony acabou de revelar quanto custou fazer God of War III: 44 milhões de dólares. Farmville? No máximo terá custado 300 mil dólares...
Verdade! God of War III custa mais do que um avião de combate. Quem o afirmou foi John Hight, responsável pelo desenvolvimento na SCEA (Sony Computer Entertainment America) numa entrevista recente ao sítio Giant Bomb. Caro? Bem, não muito se pensarmos que para Call of Duty: Modern Warfare 2 a Activision gastou 50 milhões de dólares na produção... e depois mais 200 milhões de dólares na promoção (leu bem...) que que explica por que razão o jogo até surgiu nos telejornais nacionais... e não foi para dizerem que era violento.
De facto, se alguma coisa CoD:MW2 tem de grande é isso mesmo: os números que o rodeiam. O jogo – agora com o futuro ameaçado porque a Activision despediu parte da equipa da Infinity Ward por insubordinação – representa uma imensa operação de marketing. Que resultou porque em alguns dias os custos estavam cobertos, tudo o indica. Mas é impressionante que se tenha gasto na promoção quatro vezes mais do que na produção.
E Cod:MW2 nem sequer é um jogo caro (se pensarmos na produção). Porque há jogos mais caros, sem destrinça entre novos e velhos. Grand Theft Auto 4 encabeça a tabela, com um orçamento de 100 milhões de dólares, numa lista criada pelo sítio Giant Battle. Com mais de mil pessoas trabalhando ao longo de três anos e o licenciamento de música para o jogo, o preço tinha de ser elevado. Gran Turismo 5 necessita de 80 milhões. Shenmue representa 70 milhões, Too Human um pouco acima de 60 milhões Metal Gear Solid 4 fica-se pelos 60 milhões. Halo 3 custa 55 milhões, APB e La Noire 50 milhões, Final Fantasy XII 48 milhões e Killzone 45 milhões. E todos estes títulos demoram anos a produzir por equipas de muitas vezes mais de uma centena de pessoas. E estão mais caros do que outrora. Nas anteriores gerações de consolas a produção de um jogo custava qualquer coisa como 3 a 5 milhões de dólares por plataforma, indica a empresa de estudos M2 Research em recente relatório.
E os jogos sociais? Embora não existam números específicos de cada título, a verdade é que os conhecedores da área sugerem que os jogos sociais custam de 30 a 300 mil dólares para produzir, com um ciclo de produção de seis meses, enquanto os que são concebidos para sistemas portáteis, como o iPhone, custam de 5 a 20 mil dólares, com um ciclo de produção de quatro meses.
As equipas dos jogos sociais são também mais pequenas do que as dos jogos de consola e/ou os títulos AAA. Ao referir-se ao recente God of War III, John Hight, da SCEA, afirma que uma das razões para o custo se deve à quantidade de recursos humanos alocada: 132 pessoas. God of War II ocupou 60 e o God of War original somente uma trintena. E como esperado, a área que cresceu mais foi a gráfica, para responder às capacidades das novas plataformas.
Esse investimento explica, pelo menos parcialmente, que as sequelas sejam uma constante. Afinal, as editoras têm de recuperar custos reutilizando os motores gráficos, mesmo se, como indica John Hight, o próximo jogo a usar o motor gráfico de GoW3 pode não ser GoW4.
Aliás, tal como refere o relatório da M2 Research, em 2010 mais produtores de jogos vão procurar formas de “emagrecer” o desenvolvimento, trocar os canais de distribuição e incluir microtransacções nos jogos. A palavra-chave é RDI... Retorno do Investimento. Ou ROI se quer o original inglês.
Claro que tudo isto esbarra na nebulosa ideia que se tem nos dias que correm do que são jogos. Ou de que existem jogos e jogos. Enquanto os jogos de consola e PC, apesar de toda a popularidade de que já gozam – boa e má – continuam a ser algo muito conotado com “nerds” e comportamentos anti-sociais, jogos sociais (porque surgem em redes ditas sociais, onde se fazem milhares de... amigos) sem grande inventividade surgem como algo que até “junta a família”, como sugerem os que apontam o caso de pais que fazem os filhos jogarem por eles enquanto estão a trabalhar...






















