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As consolas vão acabar

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Afinal as consolas podem estar a caminho da extinção. Quem o diz é Hideo Kojima, criador de Metal Gear Solid. Mas há outros sinais no ar. Se somados todos, as consolas estão perto do fim.

Quando da explosão do uso das consolas alguns estudiosos do mercado vaticinaram o fim do reinado do computador como máquina de jogos. Anunciaram-lhe até um  fim rápido, mas as notícias da morte do PC como máquina de jogos foram muito exageradas. O PC continua a ser um elemento essencial, e sobretudo em jogos online e alguns géneros, como a estratégia, dá cartas a qualquer outro sistema. Mesmo se as promessas da Microsoft do Games for Windows se diluiram na atenção dada pela empresa à Xbox.

Fala-se muito na integração de jogos MMO nas consolas, mas até agora isso tem sido mais a meta do que a realidade. Assim, o PC continua a ser o palco preferido da experiência. E no futuro pode ser ainda mais. Assim dito pode parecer estranho, mas vamos primeiro olhar para as afirmações de Hideo Kojima.

Segundo a agência Reuters, Kojima afirmou recentemente, na apresentação do mais recente Metal Gear Solid, desingado Peace Walker, que no futuro os videojogos não dependerão de uma plataforma, podendo correr em diferentes plataformas. Para Kojima, os jogadores devem poder ter a mesma experiência de jogos nas suas salas de estar, em movimento, quando viajam, onde quer que estejam e quando quiserem jogar. E rematou a polémica afirmação com a nota de que “deve ser o mesmo software e a mesma experiência”.

É curioso que Kojima tenha lançado tal afirmação na apresentação de um jogo, Metal Gear Solid, que se tornou famoso nas consolas. Com 27 milhões de cópias vendidas, a saga é um marco incontornável no historial da indústria, o que significa que quando Hideo Kojima fala, o mundo escuta. E neste caso, a seu lado estava Hiroshi Kawano, presidente da Sony Computer Entertainment Japan, que afirmou ser aquela uma ousada previsão mas que lá no fundo deve ter batido três vezes na madeira e dito lagarto, lagarto, lagarto. Afinal, trata-se de uma ideia que deve saber mal a toda uma indústria que faz negócio com equipamento e acessórios.

A visão de Kojima sugere um jogo independente de plataforma, o que deve causar calafrios nos criadores de modelos tão distintos como a Nintendo, Sony ou Microsoft vendem. Imagine-se o fim do negócio do licenciamento  para que os criadores façam jogo para uma plataforma específica, o negócio dos títulos exclusivos, a corrida ao bolso dos consumidores. Imagine-se um mundo sem consolas. Um mundo em que se pode jogar o mesmo jogo em diferentes plataformas. É uma utopia que não é de hoje, mnas que tem sido difícil de materializar. Curiosamente é um mundo que as consolas roçam levemente, ao oferecerem uma especificação universal... só que restrita a cada marca. O que impede que um jogo de PS3 seja jogado numa Xbox.

As consolas ficam foram da equação no serviço OnLiveBalizado o terreno vamos ao resto da história. Referindo que em Junho Metal Gear Solid chega ao mercado ocidental. Mas é em Junho, ainda, que arranca oficialmente a ideia que suporta a seguna metade deste artigo: a OnLive tem data de abertura a 17 de Junho de 2010.
Toda a gente referiu a OnLive em 2009, qando foi apresentada como a grande ideia capaz de mover o mercado  de videojogos, mas depois esquecida. Mas em movimento, segundo parece. Em Junho o sistema de distribuição de jogos online que pretende concorrer com o mercado de consolas começa a funcionar. Jogos como Assassin’s Creed 2, Mass Effect2, Dragon Age Origins ou Prince of Persia integram uma lista de jogos que podem ser adquiridos online e jogados no computador do utilizador... através do download de um simples programa com cerca de 1MB.

A 17 de Junho, durante a feira de videojogos E3, em Los Angeles, fecha-se um ciclo de  quase oito anos de desenvolvimento. O serviço OnLive vai estar disponível para 48 estados americanos, diz Steve Perlman, fundador do OnLive e CEO, e é a materialização de um sonho que sabem vai mudar tudo. E talvez tornar verdadeiras as palavras proféticas de Hideo Kojima. Será 2010 o primeiro ano do resto da vida das consolas tal como as conhecemos?

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Há quem acredite que sim. Segundo os defensores do OnLive, o sistema vai mudar a forma como os jogadores experienciam os jogos e também as relações com outros jogadores, mas num prazo mais longo a forma como os jogos são desenvolvidos e comercializados, Ao retirar da equação a necessidade de hardware específico o OnLive vai permitir que os jogos sejam transformados numa pura experiência de média em praticamente qualquer dispositivo, com a mesma flexibilidade e rapidez que nos habituámos a ter no video online e na música (bem, eu não estava a pensar na ZON, não estava não...).

Inicialmente o serviço vai estar disponível para PC e Mac através de um plugin para o browser (navegador). Mais tarde surgirá a MicroConsola com adaptador para TV e os responsáveis prometem estender o sistema a outros equipamentos no futuro.
Possibilidades como a gravação de uma posição que depois pode ser retomada em qualquer momento, mesmo numa outra plataforma, são notas do sistema OnLive, que usa a ideia de cloud-computing para gravar saves de jogos. E não é necessário ter um PC de topo, dado que toda a execução é feita no servidor, transferindo o sistema somente os comandos que geram a acção. Dizem os autores e a Videojogos quer ver, tal como São Tomé.
A ideia é interessante (excepto para os fabricantes de consolas) mas resta saber se será realmente viável, porque sabendo-se do estado das ligações à Internet em muitos locais (a minha da ZON, por exemplo, não é de confiança) esta promessa de rapidez que dê para jogar coisas como uma jogo de acção sem ser morto por causa do lag é capaz de cair por terra. Para já o OnLive parece ser o primeiro passo para cumprir o que o criador de Metal Gear Solid disse. Será que o próximo jogo da série só vai estar disponível através desta forma de distribuição de jogos?

 

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