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Magalhães, um portátil educativo

Se o que se pretende é levar a indústria portuguesa longe, a escolha do nome Magalhães não ajuda. Além das razões da História, há outra: o uso de um til dificulta a grafia do nome em termos internacionais. E o computador português... nasceu na Intel.

 Anunciado com a pompa e circunstância que este Governo usa quando se trata de tecnologia – mesmo que alguns que disso falam não saibam o que dizem... – o computador Magalhães (integrado na Iniciativa Magalhães), em homenagem ao navegador Fernão de Magalhães (sim o que circum-navegou o mundo ao serviço dos reis de Espanha) não é português, sendo, isso sim, uma “nacionalização” do Classmate PC, da Intel, um portátil destinado a crianças em idade escolar, disponível desde 2006.

 O Magalhães será montado em Portugal, pela empresa JP Sá Couto, de Matosinhos, que vai colocar o nome, logótipo e uma capa nova sobre um produto já disponibilizado pela Intel em vários mercados. Depois dos computadores Tsunami, que ganharam presença no mercado, e de uma parceria com a Microsoft no produto Windows Home Server, a JP Sá Couto avança, numa parceria nacional com a Prológica e com o apoio tecnológico da Intel (a quem o negócio interessa, claro...) para este projecto.

 O primeiro-ministro já sugeriu, na apresentação do projecto, que pretende exportar o Magalhães para vários mercados, da América Latina (será a Venezuela?) a África e Europa, uma meta cujo desenvolvimento que será interessante acompanhar (para ver se não passa de boas palavras...) quando se descobre que o Magalhães, perdão o Classmate da Intel já existe em diversos países, sob outros nomes: é o Anoa na Indonésia, o Mileap-X na Índia e MoboKids no Brasil. E de acordo com declarações de Craig Barrett, presidente do Conselho de Administração da Intel, à SIC, existem vários países interessados em montar o Classmate PC.

 Em Portugal o Magalhães vai ser distribuído numa primeira fase a 500 mil crianças entre os seis e 11 anos. É já em Setembro que as primeiras unidades começam a ser entregues, como parte do programa e.escolinhas, uma versão do e.escolas concebida para as crianças do primeiro ciclo do ensino básico. Grátis para os alunos no primeiro escalão da acção social escolar, o computador custará 20 euros para as crianças do segundo escalão e 50 euros para as restantes. Como o preço de fabrico por unidade é de cerca de 180 euros (se não existir a habitual derrapagem nacional...) isso significa que o remanescente vai sair, parcialmente, do bolso dos cidadãos, que afinal, pagam o orçamento do Estado.

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