A Net em qualquer lado promovida pela ZON com a Fibra é uma manobra de marketing. O sistema nem sempre chega onde uma rede sem fios da norma G chegava. Só um adaptador USB salvou a rede no caso da Videojogos.
Jogar em rede, mesmo em casa, necessita de uma estrutura sem fios capaz de manter uma ligação constante. Temos isso mesmo há anos, desde que a Linksys comercializou os primeiros sistemas em Portugal. Passámos por todas as normas até à G, e vivemos felizes com ela, ligando de três a sete máquinas sem fios ao sistema. Uma ligação que obrigou sempre ao uso de um repetidor da Linksys – Wireless G Range Expander – de que demos cabo de dois, ao longo de muitos anos, desde que optámos por aceder ao sistema com máquinas situadas no piso superior.
Por anos nem sequer pensámos no assunto. Apesar da má fama do Wireless G Range Expander da Linksys – que por vezes se instala e funciona sem problemas, noutras causa um ataque de nervos e fúria e... não funciona – nunca tivémos problemas, excepto uma ou outra quebra de ligação que sempre se resolvia. Até recentemente.
Por diversas razões que não vale a pena referir aqui decidimos colocar o sistema de FIBRA 50 da ZON. Televisão, telefone e Internet, a substituir a ZON serviço profissional com 20Mb de velocidade canais normais e o resto que usámos durante alguns anos. Já nos arrependemos muitas vezes, no prazo de poucas semanas, porque o serviço de televisão é pacóvio (e inconsequente e disfuncional e outras coisas...prova-se por a ZON já andar a ensaiar 3D sem sequer ter uma “box” que seja capaz de gravar de jeito...), e porque o serviço de Internet e a assistência são lastimáveis quando algo corre mal. O telefone? Há dias que nem funciona. Mas isso é história para outro dia. Agora vamos a esta, que pode conter uma dica ou solução para alguém.
Quando instalámos a FIBRA 50 sabíamos que íamos ter de rever a nossa rede, sólida como rocha, e a funcionar com o tal repetidor, um router Linksys e adaptadores USB (WUSB54G) nas máquinas móveis. Dado que a ZON usa um Hub que parece uma chaminé (do fabricante Hitron) que faz as vezes de modem e router, o router Linksys que tão bons serviços fez passou à reforma. E apesar de estarmos a falar, no caso da ZON, de uma rede sem fios de norma N decidimos manter o repetidor da Linksys (norma G) para levar o sinal ao piso de cima, como sempre havíamos feito... sem problemas. Sabíamos que se ia perder alguma velocidade mas como até à altura ninguém se havia queixado, quer nas ligações à Internet quer nos jogos em rede interna, a ideia parecia boa.
Só que... o HUB não quis mesmo dialogar com o Wireless G Range Expander, criando um problema de comunicação que nos deixou sem rede no piso superior por alguns dias. Confirmando que a promessa da ZON de mais rede mais longe é... bem, não é verdade. Ou só é reunidas algumas condições. Inquiridos os serviços técnicos, sempre se escusaram a dar uma resposta sobre as diferenças entre a realidade do marketing e a realidade realidade. E nem eles pareciam saber como encontrar uma solução.
Afinal, a norma N não vai tão longe como a G? De facto, até para a consola PlayStation 3 na sala (a Xbox 360 está encostada de há muito, por causa do barulho que faz) a rede era curta, quando antes, com o velho G, chegava, em ligação directa ao router da Linksys e não usando o repetidor colocado nas escadas para o piso superior.
Tentou-se encontrar uma solução contactando os diferentes operadores em Portugal, mas os serviços de apoio são tudo menos funcionais. Houve até uma marca, que não vou referir por pudor, que nos sugeriu o contacto com um colaborador especialista disposto a ver a rede (pagando) que poderia aconselhar-nos o equipamento. A conversa com o especialista provou que ele era menos “especialista” do que nós.
Por causa do problema com o repetidor da Linksys e por causa do deficiente apoio do fabricante (também), decidiu-se procurar uma alternativa noutra marca. Mas não existem repetidores como o da Linksys, e as sugestões de uso de um ponto de acesso não pareciam a melhor saída, significando mais um gasto extra sem a garantia de resultados. Porque ninguém parecia capaz de expandir de forma segura a rede “vai a todo o lado” que a ZON nos coloca à porta de casa dizendo... “agora arranja-te, vamos enganar mais um”. Foi isso, pelo menos, que sentimos.
A situação era insustentável e ridícula. Passar para um sistema supostamente mais evoluído, mais rápido, mais tudo, e não o poder usar como se usava a norma B e depois a G. Apetecia-nos embrulhar o Hub e enviá-lo de volta à ZON.
Entretanto, por causa da avaria de um dos Linksys WUSB54G tinha-se efectuado a sua substituição por um adaptador norma N da D-Link numa das máquinas no piso inferior, já pensando numa futura passagem da rede à nova norma. Decidiu-se experimentar transferir esse adaptador para o piso superior. Fazia algum sentido: um adaptador que fala a mesma linguagem do ZON Hub (que também é compatível ou devia ser com todas as outras normas, saliente-se) e que é mais potente, deve conseguir fazer a ligação. Pois, boa ideia, mas não dava. Mesmo assim decidiu-se tentar uma vez mais, adquirindo um adaptador idêntico mas da Belkin, que parecia prometer (pois!) ainda mais rapidez com o seu N+... que não teve tempo de aquecer no lugar. Foi devolvido à loja pouco depois de ser ensaiado em todas as situações possíveis. Só funcionava bem... perto do modem. Comunicação visual, acho eu...
Diz-se que o desespero é uma via para a inventividade. E foi isso que decidimos fazer. A nossa instalação anterior dependia de um repetidor que ampliava a área do sinal, depois recebida pelos adaptadores USB Linksys WUSB54G , uma caixa com antena que se liga por um cabo USB ao computador. Sem o repetidor, os adaptadores ainda conseguiam apanhar algum sinal da antiga rede G, mas agora, com a N da ZON, não apanhavam nada. Bem, apanhavam a do vizinho...
Pergunta: o que acontece se estendermos o cabo USB de modo a colocar o adaptador USB da rede sem fios mais perto da zona onde o sinal do ZON Hub deve chegar? Vale a pena tentar. Decidimos que era mesmo pelo adaptador D-Link DWA-140 que íamos ficar. Os bons resultados da primeira unidade ao nível da comunicação no mesmo piso, a facilidade de instalação e a interface (a da Belkin parecia uma coisa de DOS) eram um bom ponto de partida. Mas o D-Link DWA-140 ligado na ponta de um cabo USB maior não ia lá.
Uhm... deixa-me cá colocar o chapéu pensador... Foi então que decidimos investir num cabo USB blindado da HAMA e na utilização de uma caixa de ligação USB alimentada por uma fonte de energia. Feita a ligação de um primeiro USB entre o computador e a dita caixa e depois ligando o cabo blindado com o adaptador D-Link na ponta, conseguimos descer a posição do DWA-140 para o local onde anteriormente ficava o repetidor da Linksys.
Logo na primeira experiência o sinal no piso superior revelou-se excelente, fazendo finalmente justiça à ideia de uma ligação N. Mas na verdade, não é por a ZON dizer que a rede N vai mais longe. É necessário, em cada situação, ver o que se consegue obter. No nosso caso a salvação da promessa da ZON fez-se com um adaptador de três dezenas de euros e um cabo USB blindado. Desde aquele dia – exceptuando os dias em que a rede de FIBRA de alta velocidade da ZON anda a passo de caracol... ou não anda – a ligação ao mundo, para jogos em rede dentro ou fora de casa faz-se a uma velocidade decente. Tudo graças a um adaptador preso na ponta de um cabo USB. Afinal, era simples. Mas ninguém parecia saber, apontando para soluções com cablagem, com pontos de acesso e outras ideias mais dispendiosas ou complicadas. E que ninguém garantia funcionarem. A nossa anda.

















